segunda-feira, 7 de setembro de 2020
Lendas do Brasil
Muitas são as lenda brasileiras, a mistura de povos enriqueceu a nossa cultura com essas narrativas fantásticas na qual se destaca as lendas indígenas como:
Muitas obras como de Maurício de Sousa e Antônio Cedraz nos dão exemplo da riqueza de nosso folclore.
De acordo com a história, a filha do cacique de uma tribo tupi-guarani havia engravidado, e seu pai muito furioso, queria saber de quem era o bebê que ela estava esperando. A índia afirmava que não sabia como tal fato teria acontecido, pois não tinha se entregado para nenhum homem. O cacique não acreditou na filha.
Certa noite, o chefe da tribo sonhou que alguém lhe dizia para acreditar em sua filha pois ela contava a verdade. A partir deste momento, o cacique passou a aceitar a gravidez da filha e a esperar ansioso pela chegada da neta.
A menina era muito bonita, tinha a pele branca e se chamava Mani. Trazia muita alegria para a aldeia pois era uma criança muito feliz e querida. Durante uma manhã, Mani foi encontrada sem vida pela sua mãe. Com muita tristeza, o povo enterrou a menina dentro da própria oca. A terra ficava umedecida com tantas lágrimas, e depois de alguns dias, nasceu uma planta diferente no mesmo local onde o corpo havia sido enterrado.
A planta não era conhecida pela aldeia. Perceberam que ela tinha uma raiz escura e por dentro era toda branca. Em homenagem a filha, ela colocou o nome de Manioca, uma junção de Mani (nome da criança) e Oca (local onde foi enterrada), que com o passar dos anos o nome tornou-se mandioca. Os índios passaram a utilizar a raiz da planta para fazer farinha e uma bebida chamada cauim.
A LENDA DO UIRAPURU
De acordo com a lenda, o pássaro uirapuru tinha sido um jovem guerreiro índio, chamado Quaraçá, pertencente a uma nação indígena da floresta amazônica.
Quaraçá adorava passear pelas matas tocando sua flauta de bambu. Ele era apaixonado por uma bela índia chamada Anahí, que era casada com o cacique da tribo.
Sofrendo muito pelo amor impossível, o jovem índio resolveu entrar no meio da floresta para buscar a ajuda do deus Tupã. Entendendo o sofrimento de Quaraçá, Tupã resolveu transformá-lo num pequeno pássaro colorido (vermelho e amarelo com asas pretas), para assim livrá-lo do sofrimento.
Quaraçá, que ganhou o nome de Uirapuru, voou pela floresta com seu forte e lindo canto. Toda vez que via Anahí, pousava e cantava para a jovem índia, que ficava maravilhada com o som daquele pequeno e lindo pássaro.
O cacique da tribo também ficou encantado com o canto do pássaro e, com o objetivo de aprisioná-lo, se perdeu na floresta e nunca mais voltou. Sozinha, restava a Quaraçá ouvir o canto de seu pássaro favorito. E ao jovem índio, agora transformado em pássaro, restava que a índia amada descobrisse quem ele era para desfazer o encanto.
domingo, 6 de setembro de 2020
Cornélio Pires e a cultura caipira
CORNÉLIO PIRES
O CODIFICADOR DA CULTURA CAIPIRA
Cornélio Pires (Tietê, SP, 13 de julho de 1884 - São Paulo, SP, 17 de fevereiro de 1958) foi um escritor, jornalista, folclorista, poeta e cantor paulista. Denominado o "Bandeirante da música caipira", seu trabalho de pesquisa e promoção da música, linguagem e cultura geral do personagem conhecido como "caipira", (habitante típico do interior de São Paulo e Minas Gerais) ocupa um lugar de destaque pelo seu pioneirismo e desenvoltura na abordagem da matéria. Filho de Raimundo Pires de Campos Camargo e Ana Joaquina de Campos Pinto, Cornélio Pires nasceu no dia 13 de julho de 1884, no bairro do Sapopemba na cidade paulista de Tietê, e morreu de câncer na laringe no dia 17 de novembro de 1958, na capital de São Paulo.
Quando criança, Cornélio Pires viveu a maior parte dos seus dias onde nasceu e foi batizado, caçando, pescando e andando ás margens do grandioso rio Tietê, no sítio da sua madrinha e tia avó “Nhá Bé”.
Já conceituado e reconhecido como grande jornalista e escritor, participa ativamente das comemorações do centenário da independência do Brasil proferindo palestras e apresentações ao lado do maestro Eduardo Souto.
Dirigiu seu primeiro filme, “Brasil Pitoresco” em 1924, que retrata a sua grande viajem de por várias cidades litorâneas brasileiras, apresentando características e aspectos sociais de diversas comunidades e grupos do Brasil.
Na década de 10 do século XX, Cornélio realiza as chamadas
Conferências Cornélio Pires, onde realiza encenações de cenas típicas do
comportamento do caipira, reunindo violeiros para executarem algumas modas de
viola tradicionais, além de pronunciar pequenas conferências sobre a cultura
caipira em geral. Em uma dessas conferências que se tornou famosa, realizada no
Mackenzie College, Cornélio realiza a encenação de um funeral caipira, com
todos os costumes e trejeitos atribuídos à celebração em meio às comunidades do
interior do estado de São Paulo. É na mesma época que seus trabalhos como
jornalista e escritor se iniciam, sendo que sua bibliografia como escritor é
exclusivamente dedicada ao estudo e divulgação da cultura do interior paulista.
É em meio às apresentações, que iam ganhando cada vez mais importância e prestígio que este decide, em 1929, utilizar-se da novidade tecnológica que era o disco de goma-laca (chamado também 78 rotações) à época. Seria um meio, de acordo com seu raciocínio, de levar aos que não pudessem ter acesso aos seus espetáculos, exemplos do que era apresentado, multiplicando seu público.
É a partir dessa ideia que se desenrolou um dos episódios mais famosos da biografia do bandeirante da música caipira, relembrado constantemente por outra figura-chave da música caipira, Ariowaldo Pires, o Capitão Furtado, grande cocompositor da música caipira e sobrinho de Cornélio: de acordo com a história, este entra entusiasmado no gabinete de Wallace Downey, então representante da Byington & Company, responsável pelos discos da gravadora Columbia (atual Sony Music) no Brasil. Cornélio apresenta seu revolucionário projeto de gravar anedotas, "causos", contos e modas caipiras com violeiros legítimos em disco. Pouco entusiasmado, Downey diz que não tomava as decisões sobre o repertório da gravadora, e manda Cornélio ao escritório do dono da Byington, Alberto Jackson Byington Jr, amigo do escritor. Na época, qualquer canção sertaneja ou caipira só aparecia em disco por meio dos cantores ditos "profissionais", como Francisco Alves, Mário Reis ou Gastão Formenti, nunca se cogitando gravar artistas caipiras legítimos, com seus "erres" atravessados e "esses" mudos, num distinto dialeto interiorano. Assim, previsivelmente, Byington logo procura terminar a conversa, dizendo não haver interesse na gravação de violeiros.
Cornélio, seguro de seu projeto, teria insistido, oferecendo para gravar tais discos por conta própria, algo nunca feito antes. Byington, querendo que Cornélio desistisse da ideia, tenta opor dificuldades, dizendo que este deveria financiar mil cópias de sua gravação, pagos à vista e em 24 horas, uma empreitada caríssima e épica para os padrões da época.
Assim, iniciou-se a produção de uma série especial, com selo vermelho, pela Columbia, a "Série Cornélio Pires", iniciada ainda em 1929. Nela figuravam as primeiras modas de viola sambas caipiras, cururus, cateretês até então gravado que na mente dos empresários da Columbia tinha tudo para ser um fracasso terminou como um dos maiores sucessos da indústria fonográfica brasileira. A Columbia agora oferecia-se para continuar a série de discos com Cornélio e seus violeiros. Para isso, formou-se a Turma Caipira Cornélio Pires, e a série, que inicialmente teria somente 6 discos, chegou a lançar mais de 100 títulos diferentes. Logo as outras gravadoras entrariam no rico filão da música caipira/sertaneja, que é até hoje um dos grandes mercados na música brasileira, por décadas seguidas.
Bibliografia:
ANASTÁCIO, Ricardo. Cornélio Pires o pioneiro. Disponível
em: <http://www.violatropeira.com.br/cornelio%20pires.htm> . Acesso em:01
set. 2011.










